Me deus do céu…
CARALHO…
PUTAQUEPARIU!
O que faria eu agora? Neste momento de desespero?
Lá estava, no meio de minha segunda viagem de ônibus, rumo à Zona Leste. Rumo à minha “safe eastern residence”, depois de um dia de trabalho de merda, como eu tinha certeza que seria.
Sim. Certeza. Acordei gritando, bradando para todo o mundo ouvir: ” Bom dia, terça feira de merda!!!!”, e no vento frio da manhã, enquanto abria a janela, totalmente nu, escutei a sua clara resposta: “bom dia, seu merda! prepare-se para um dia de merda!” e assim o foi.
Pulando toda a merda do meu dia de merda, embarco eu no primeiro dos dois ônibus necessários para cumprir minha jornada, munido de um pacote de Mentos. Graças ao meu bom deus que consegui vir dormindo naquele inferno sobre rodas e pude aumentar a vida útil do meu Mentos.
Desço na outrora bela e imponente Praça da Sé e conto com a ajuda dos famosos confeitos mastigáveis para tornar os arredores um pouco mais suportáveis. Meu subterfúgio açucarado realmente é eficaz contra a realidade medonha. Nem me recordo que estou esperando outro coletivo nojento em um canto que fede a mijo.
No meio do tortuoso trajeto, o ônibus, lotado de transeuntes suados, cansados, acabados, para.
Olho para as pessoas que compartilham daquela insanidade comigo. Por um momento acho graça da situação.
Vejo pessoas de rostos largos, com olhos, narizes e bocas pequenas. Pessoas com rostos pequenos e olhos e narizes grandes. Ninguém nem muito feliz, nem muito infeliz. Uma sensação cômica de vazio tomou conta de mim. Um vazio inversamente proporcional à lotação da bosta do ônibus. A graça que eu estava achando tinha ido embora, a sensação de vazio resistiu. Resistiu e aumentou. Só me restavam 3 mentos no pacote, já totalmente amassado e irreconhecível, a não ser pela sua bela e tranqüilizante cor azul clara.
Fico sem saber o que fazer. Como uma das pastilhas restantes para me acalmar, sabendo que minha calma não durará muito.
Ainda estou longe de casa, algum outro coletivo que percorra o mesmo trajeto demorará no mínimo 10 minutos para chegar. Só nesse tempo já teria devorado as pobres balinhas sobreviventes.
Começo a olhar em volta. Desesperadamente.
Apesar de a noite estar quente e eu ainda estar de blusa, por simples preguiça de tira-la, sinto o suor frio escorrendo pela minha testa.
Com as mãos tremendo, rasgo o resto do papel, já um pouco molhado pelo suor de minha mão, com a sua peculiar tinta azul um pouco mais palida, e pego mais uma pastilha.
Finalmente chega o segundo ônibus, que fica rápidamente lotado como o em que eu estava. Degusto com alegria e alívio o penúltimo confeito mastigável.
Novamente olho ao meu redor, na esperança de ver uma boa alma sacando um Mentos do bolso. Quando este pensamento termina de passar pela minha cabeça, mais rápido que um raio, vejo o cara que estava quase ao meu lado, separado apenas pela distância de uma garota muito gostosa, saca de seu bolso a tal embalagem trolhiforme. Esboço um leve sorriso enquanto olhava para o teto sujo do ônibus, quando percebo que o Mentos que está em posse de tal figura não é um Mentos normal. É o de Frutas!
Oras, onde foi parar o bom gosto de outrora? Aquilo nunca poderia carregar o nome “Mentos”!
Uma heresia. um atentado à uma das mais clássicas instituições do açucar.
Não só o mesmo desespero de poucos segundos atrás volta a tomar conta de mim como também uma onda de ódio ao consumidor incrédulo da desditada bala chega com toda a fúria de um Charles Bronson se vingando da morte de algum ente querido. Fico PUTO, muito PUTO mesmo.
O Semaforo nos dá sua luz vermelha, que com a ajuda do escuro da noite domina o interior dos carros e ônibus que estão à sua frente e me faz lembrar a iluminação de um puteiro de terceira categora.
Mastigo velozmente a última de todas as balas, ainda longe de casa. Com os globos oculares ainda fazendo um verdadeiro escrutínio, à procura de algum vestígio do meu mais recente vício.
Cheguei em casa completamente catatônico, porém me movendo com velocidade, em direção à gaveta de minha mesa. Peguei o primeiro entre uns 15 ou 20 tubos de Mentos que lá estavam. Depois de mastigar a primeira pastilha até ela grudar em todos os dentes que eu tinha e que já tive e me acalmei.
Depois de minha respiração se normalizar, de a minha dor de cabeça e a minha tremedeira passarem, me dei conta: “vidas ridículas nos levam a vícios ridículos?”.
Agosto 14, 2008 às 11:23 am |
embalagem trolhiforme,
garota muito gostosa,
e um Charles Bronson se vingando da morte de algum ente querido. Fico PUTO, muito PUTO mesmo.
com certeza esse texto não tem outra autoria q não seja o cirvs modvs… bééémmm cirvs!!!
se for pensar, nós somos as pessoas com os vícios mais ridículos do mundo… isso me lembrou o poema das três garotas do sabonete araxá, do Manuel Bandeira…
virarei um leitor assíduo do teu brogo!
Agosto 15, 2008 às 9:16 pm |
Richard tem toda a razão. Vocabulário Cirílico.
Mais um leitor assíduo. No rabo com o Menthos de frutas.
Oi Oi
Agosto 22, 2008 às 3:35 am |
Então… o negócio é wordpress mesmo!
Agosto 29, 2008 às 4:07 pm |
Cirvs,
Demorei mas li…só consegui ler agora.
Crise de abstinência em um coletivo urbano.
Muito bom Cirvs, deu até vontade de comer um Mentos “uma das mais clássicas instituições do açucar.”
Hahahaha, só poderia ter saído de você esse comentário.
Vai Tomar no seu CU.